Em 2024, Goiás liderou os casos de morte por choques elétricos no Centro-Oeste. Saiba os principais riscos, medidas preventivas e orientações técnicas para proteger sua vida e seu patrimônio
Goiás se tornou líder em casos e acidentes de choques elétricos de pequena a grande complexidade. Em 2024, o estado ficou em primeiro lugar em número de mortes por choques elétricos no Centro-Oeste, com 38 óbitos confirmados em 58 ocorrências. Um número alarmante que, mais do que estatísticas, representa vidas perdidas por falta de conhecimento, infraestrutura precária ou negligência com medidas básicas de segurança elétrica.
Segundo os dados da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), o Brasil registrou 734 mortes por choque elétrico no último ano. No Centro-Oeste, 104 pessoas perderam a vida — um número elevado para uma região com menor densidade populacional que outras partes do País. Entre os principais afetados, destacam-se os trabalhadores da construção civil, reforçando a necessidade de uma abordagem técnica e educativa sobre o tema.
Por que os acidentes elétricos ainda são tão frequentes?
Como especialistas, a Teckman apontam três principais causas para a alta incidência de choques fatais:
- Falta de capacitação técnica dos trabalhadores, especialmente na construção civil;
- Desrespeito às normas técnicas de segurança (como a NR-10 e a ABNT NBR 5410:2008);
- Uso incorreto de equipamentos e negligência no ambiente doméstico.
Esses três fatores são agravados pela falta de fiscalização e de uma cultura preventiva que valorize o trabalho seguro e a manutenção adequada de sistemas elétricos.
Acidentes na Construção Civil: onde mora o perigo
A construção civil é o setor mais afetado, principalmente por envolver atividades em áreas externas, proximidade com redes de alta tensão e o uso frequente de materiais condutores, como vergalhões, escadas metálicas e ferramentas elétricas. A imprudência em relação à distância mínima da rede elétrica — que deve ser de, no mínimo, 3 metros horizontais ou verticais, segundo as normas técnicas vigentes — é uma das principais causas de acidentes fatais.
Estas são algumas das recomendações que indicamos, como especialistas em engenharia elétrica para obras:
- Sempre realizar uma análise de risco elétrico antes de iniciar qualquer serviço próximo à rede de energia.
- Usar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como luvas, botas e capacetes com isolamento elétrico.
- Instalar dispositivos de proteção diferencial residual (DRs) em quadros de distribuição temporários.
- Fugir de improvisos: todo projeto elétrico deve ser executado e acompanhado por profissional habilitado com registro no CREA.
Acidentes domésticos: o perigo está dentro de casa
Engana-se quem pensa que os choques elétricos são uma ameaça apenas em canteiros de obras. Dentro de casa, o risco é frequentemente mais subestimado. Atitudes aparentemente inofensivas, como ligar um aparelho com as mãos molhadas ou improvisar emendas com fita isolante, podem se transformar em tragédias.
Erros comuns e como evitá-los:
- Benjamins (“T”): São populares, mas também são os causadores principais de “pontos quentes” na instalação elétrica e podem provocar curtos-circuitos e incêndios. Substitua-os por réguas com disjuntor embutido;
- Aparelhos em áreas úmidas: Não utilize secador, chapinha ou barbeador dentro do banheiro, especialmente descalço ou com o corpo molhado;
- Tomadas danificadas: Nunca utilize tomadas com folgas ou fios aparentes. Chame um eletricista qualificado para a troca;
- Instalações antigas: Se a instalação da sua casa tem mais de 10 anos, é altamente recomendável uma vistoria técnica e modernização das instalações.
Confie em profissionais qualificados
Muitos acidentes poderiam ser evitados com a contratação de profissionais com formação técnica ou graduação em engenharia elétrica. Um eletricista habilitado saberá, por exemplo, a carga ideal para cada circuito, como distribuir corretamente os disjuntores e identificar possíveis falhas de isolamento.
Além disso, projetos bem executados contam com sistemas de aterramento eficientes, dispositivos DRs, quadros de distribuição modernos e circuitos independentes para equipamentos de maior potência, como ar-condicionado, geladeira e máquinas de lavar.
O papel da engenharia elétrica na prevenção de acidentes
A engenharia elétrica é muito mais do que instalar tomadas ou trocar lâmpadas. Ela é fundamental para garantir a segurança, a eficiência energética e o funcionamento adequado de residências, comércios e indústrias.
Projetos elétricos feitos por engenheiros levam em consideração:
- Cálculo da demanda elétrica real da edificação;
- Divisão equilibrada dos circuitos, evitando sobrecargas;
- Uso de materiais certificados e de qualidade;
- Soluções sustentáveis e seguras para economia de energia;
- Conformidade com todas as normas da ABNT e exigências legais.
Como criar uma cultura de segurança elétrica?
É urgente promover uma mudança de mentalidade, tanto entre profissionais da construção quanto entre consumidores residenciais. Essa mudança passa por:
- Campanhas educativas permanentes, nas escolas, empresas e veículos de comunicação;
- Treinamentos regulares para equipes operacionais, com foco em NR-10 e boas práticas;
- Inspeções técnicas obrigatórias em obras e estabelecimentos comerciais;
- Criação de incentivos fiscais para modernização das instalações elétricas antigas.
Seja consciente, previna-se!
A eletricidade é essencial para a vida moderna, mas não perdoa erros. Goiás, como líder de mortes por choques elétricos no Centro-Oeste, precisa de ações firmes, combinando educação, fiscalização e valorização da engenharia elétrica.
Cada acidente evitado é uma vida preservada. E a melhor forma de evitar é prevenir.